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Os desafios da gestão ambiental na sociedade contemporânea

Marcelle Wendeling Pinheiro
Graduada em Administração e Especialista em Administração Estratégica. Atua como Gestora do Grupo Santander.
Marcelo do Amaral Wendeling
Graduado em Administração e Especialista em Administração Estratégica. É Analista de Gestão da Fundação Oswaldo Cruz/Ministério da Saúde.


INTRODUÇÃO

Na economia globalizada e altamente competitiva da atualidade, torna-se imperativa a necessidade de inovar, levando em consideração os aspectos ambientais. A implementação de um sistema de gestão ambiental de uma empresa pode ser vista como uma inovação, uma vez que trata de um processo que exige uma mudança comportamental e organizacional.

O desafio para garantir o sucesso de um sistema de gestão ambiental (SGA) é justamente o de adequá-lo às características e cultura da empresa, levando em consideração os objetivos almejados com a mudança pretendida.

O sucesso da implementação de um SGA estará, portanto, relacionado a uma série de fatores de ordem estratégica e operacional, voltados à obtenção de ganhos ambientais, sociais e econômicos, bem como à garantia de sobrevivência da organização num cenário de constantes transformações.

Na última década, a questão ambiental deixou de ser vista como domínio exclusivo dos ecologistas e passou a ser incorporada às preocupações centrais da sociedade. A relação entre meio ambiente e desenvolvimento econômico deixou de ser vista como conflitante para ser alcançada uma parceria, onde o crescimento econômico deve perseguir a conservação dos recursos naturais.

Os temas ambientais transformaram-se em um ponto crítico para os negócios, especialmente para as indústrias. A globalização dos negócios, a internacionalização dos padrões de qualidade ambiental esperados na ISO 14000, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a disseminação da educação ambiental nas escolas, permitem antever a intensificação das exigências futuras que farão os consumidores em relação à preservação do meio ambiente e à qualidade de vida.

O fator ambiental passa, assim, a ser determinante no desenvolvimento de novas tecnologias e na melhoria das existentes, influenciando na competitividade industrial de empresas e de países, em sua luta pela sobrevivência e superação de concorrentes.

Diante disso, as organizações deverão, de maneira acentuada, incorporar a variável ambiental na tomada de decisão, além de manter uma postura responsável de respeito à questão ambiental.

UM OLHAR DIACRÔNICO SOBRE A GESTÃO AMBIENTAL NO MUNDO E NO BRASIL

Desde a década de 50, o crescimento e o desenvolvimento têm gerado uma qualidade e um padrão de vida muito melhor em várias partes do mundo. Porém, essa melhoria garantida por meio de diversos produtos e novas tecnologias, é decorrente de um elevado consumo de matérias-primas e energia, também causadoras da poluição. Presencia-se, então, um impacto ecológico jamais registrado em toda história da humanidade.

Os últimos 100 anos foram marcados pelo desmatamento excessivo para criar áreas de cultivo, ocorrendo uma intervenção na natureza muito maior do que em todos os séculos precedentes. Os recursos hídricos também vêm sendo utilizados de forma abusiva (CMMAD, 1991).

Ao longo da história, nos diversos modos de produção, o homem sempre se preocupou com questões relativas à produção e a quem destiná-la, uma vez que a origem e a extração da matéria-prima sempre foram da natureza. Contudo, o homem é a única espécie que possui o poder de desequilibrar e ameaçar os sistemas naturais. A razão para esta afirmação reside principalmente no fato do homem atuar sobre o meio, não apenas para sua sobrevivência, mas para satisfazer necessidades socialmente fabricadas. Necessidades estas, que surgem da complexidade sócio-econômica e cultural das sociedades.

No Brasil, o meio ambiente sofre pela falta de coordenação e de recursos financeiros e humanos para sua administração.

Há alguns anos atrás, as estratégias de desenvolvimento foram baseadas no crescimento econômico de curto prazo, por meio da modernização acelerada dos meios de produção. Tanto a industrialização, como a implantação de projetos de infra-estrutura e a exploração de recursos minerais e agropecuários para exportação, têm sido estratégias causadoras de impactos negativos ao meio ambiente. A urbanização também favoreceu a degradação ecológica das grandes cidades.

O processo de globalização também afetou de forma direta a questão ambiental. Segundo Maimon (1996), a globalização da ecologia pode ser explicada por diferentes aspectos.

Primeiramente, a poluição é tratada como um problema global, podendo causar danos a regiões ou ao mundo todo. Dessa forma, existe uma preocupação generalizada com o futuro da terra, em questões como a contaminação da água, do ar, do solo e das cadeias alimentares, assim como do efeito estufa, da explosão demográfica, do empobrecimento da biodiversidade e da devastação da Amazônia.

Outro aspecto com relação à globalização da ecologia refere-se à opinião pública sobre as questões ambientais. A sociedade exige controle da poluição e de produtos que não danifiquem o meio ambiente. Essa propagação da consciência ambiental deve-se em grande parte, aos meios de comunicação, uma vez que um desastre ecológico pode ser transmitido via satélite no mesmo instante de sua ocorrência.

O fortalecimento do movimento ambientalista vem se aperfeiçoando pela experiência técnica e da organização política, avaliando e endossando produtos ecológicos, além da difusão de técnicas alternativas e da implantação de projetos, visando um desenvolvimento sustentado.

O setor público também vem expressando esta postura ambientalista, por meio do controle e monitoramento e, consequentemente, do aumento do aparato institucional e legal dos órgãos de regulamentação dos países desenvolvidos, iniciando esta pressão nos países em desenvolvimento.

Já os cientistas têm abordado a globalização da ecologia por meio de modelos matemáticos, indicando os efeitos cumulativos da poluição, dos resíduos sólidos e da escassez de recursos naturais em longo prazo. Consideram os acordos internacionais como solução dos problemas ambientais de longo prazo.

Por fim, no final da década de 80 propaga-se o conceito de desenvolvimento sustentado, ou seja, a conquista integrada da eficiência econômica, justiça social e harmonia ecológica.

A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

A sociedade de hoje reconhece a importância e valoriza as organizações que adotam um sistema de gestão ambiental, pois a organização não prejudicando o meio ambiente, logo a sociedade ganha com isso, não sendo afetada.

A visão contemporânea das organizações com relação ao meio ambiente insere-se no processo de mudanças que vem ocorrendo na sociedade nas últimas décadas e que, segundo Donaire (1999), faz a empresa ser vista como uma instituição sociopolítica com claras responsabilidades sociais que excedem a produção de bens e serviços. Portanto, segundo Longenecker (1981), esta responsabilidade social implica em um sentido de obrigação para com a sociedade de diversas formas, entre as quais, a proteção ambiental.

Tanto as organizações, quanto a sociedade valorizam e compreendem a importância da preservação do meio ambiente e com isso a gestão ambiental passa a fazer parte da lista dos assuntos fundamentais para a sobrevivência de uma organização.

Hoje o processo de globalização está ajudando muito as organizações à adotarem esse sistema, pois as organizações tornaram-se multinacionais, podendo assim ter uma visão mais ampla sobre o sistema de gestão ambiental.

A questão ambiental sempre foi tratada com descaso, mas, hoje, tanto as empresas, quanto a sociedade passaram a reconhecer a importância da preservação do meio ambiente, fazendo com que a gestão ambiental passe a fazer parte dos temas fundamentais para sobrevivência das empresas. É importante destacar também que a preocupação com o meio ambiente tornou as empresas mais competitivas internacionalmente.

O SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL – SGA

O termo gestão ambiental é bastante abrangente. No caso da gestão ambiental empresarial, ela está voltada para a eliminação ou minimização de impactos e danos ambientais decorrentes de qualquer etapa relacionada ao ciclo de vida de um produto.

O sistema de gestão ambiental tem como objetivo a busca permanente de melhoria da qualidade ambiental dos serviços, produtos e ambiente de trabalho, trazendo junto a noção de sustentabilidade com justiça social, sustentabilidade ecológica a econômica.

A implementação de um sistema de gestão ambiental é fundamental para que a empresa identifique oportunidades de melhoria que reduzam os impactos das suas atividades sobre o meio ambiente.

A preocupação que a sociedade vem demonstrando com a qualidade do ambiente e com a utilização sustentável dos recursos naturais tem-se refletido na elaboração de leis ambientais cada vez mais restritivas à emissão de poluentes, à disposição de resíduos sólidos e líquidos, à emissão de ruídos e à exploração de recursos naturais. Acrescente-se a tais exigências, a existência de um mercado em crescente processo de conscientização ecológica, no qual mecanismos como selos verdes e Normas, como a Série ISO 14000, passam a constituir atributos desejáveis, não somente para a aceitação e compra de produtos e serviços, como também para a construção de uma imagem ambientalmente positiva junto à sociedade.

A implantação sistematizada de processos de Gestão Ambiental tem sido uma das respostas das empresas a este conjunto de pressões. Assim, a gestão ambiental no âmbito das empresas tem significado a implementação de programas voltados para o desenvolvimento de tecnologias, a revisão de processos produtivos, o estudo de ciclo de vida dos produtos e a produção de “produtos verdes”, entre outros, que buscam cumprir imposições legais, aproveitar oportunidades de negócios e investir na imagem institucional (Donaire, 1999).

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL

A legislação ambiental tem por objetivo principal assegurar a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, como um bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, cabendo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações futuras.

Partindo deste ponto, a legislação deve buscar, através de seus instrumentos, a compatibilização do desenvolvimento econômico e social com a preservação da qualidade ambiental em níveis que garantam o equilíbrio ecológico, ou seja, um desenvolvimento sustentável.

Existe um grupo de normas e padrões de emissão e qualidade ambiental, onde são fixados limites máximos para a poluição (aérea, hídrica e sólida) que o empreendimento pode provocar. E existe também, um conjunto de normas criando e regulamentando o licenciamento ambiental de atividades poluidoras, junto aos órgãos do meio ambiente.

A legislação ambiental brasileira ganhou mais força a partir dos anos 80, devido a dois motivos: crescentes problemas provocados pela poluição, e pela maior conscientização da população de que poderia ter, por meios legais, uma melhoria na qualidade de vida.

É importante ressaltar também que, a legislação ambiental está constantemente em evolução, requerendo atualização, bem como, participação do setor produtivo, visando fornecer subsídios aos órgãos de meio ambiente.

No Brasil, a Política Nacional de Meio Ambiente foi implementada em 1981 pela Lei n.º 6.938, regulamentada pelo Decreto n.º 88.351 em 1983. Este último, foi revogado e substituído pelo Decreto n.º 99.274, de 06/06/1990.

A estrutura administrativa criada pela Lei n.º 6.938/81 para o gerenciamento das ações de utilização dos recursos naturais e proteção da qualidade ambiental está constituída pela Sistema Nacional de Meio ambiente – SISNAMA, que tem como órgão superior o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA e tinha como órgãos e entidades federais (órgãos setoriais), estaduais (órgãos seccionais) e municipais (órgãos locais) envolvidos com esse gerenciamento. As atribuições da SEMA foram transferidas ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, pela Lei n.º 7.735 em 22 de fevereiro de 1989.

Como instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), é possível citar:

• normas e padrões de qualidade ambiental;

• zoneamento ambiental;

• licenciamento ambiental;

• incentivos à produção e instalação de equipamentos e criação ou absorção de tecnologias, voltadas para a melhoria da qualidade ambiental; e

• penalidades ao descumprimento das medidas necessárias à preservação ou recuperação da qualidade ambiental. O resultado é o contraste entre uma das melhores legislações do mundo e uma realidade que mostra problemas ambientais básicos e muito graves.

CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL

A ISO 14001 é uma norma que define os aspectos essenciais para realizar a certificação. É necessário registrar que todas as empresas pesquisadas somente obtiveram a ISSO 14001 após terem a ISO 9000.

É importante observar que a ISO 14001 não estabelece indicadores pré-definidos para a empresa atingir, há necessidade que a própria empresa construa e estabeleça suas metas e indicadores, conforme o ramo de atividades e as condições humanas, materiais e financeiras para atingir uma determinada meta. E, as metas por sua vez podem ser diversas e adaptadas às condições de cada organização. Dessa forma, a cada renovação da certificação, que ocorre em geral a cada três anos, as metas são mais arrojadas, diferentes e estabelecidas pela organização.

A ISO 14001 contribui para que as empresas atendam de uma forma ordenada às exigências ambientais de seus clientes do mercado mundial.

Além de a certificação passar um “atestado” que a empresa está ambientalmente correta. Os profissionais reconhecem a importância da implantação da ISO 14000 não como obrigação da empresa, mas como um processo que contribui para ampliar o papel social das organizações na sociedade em relação ao meio ambiente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O fenômeno globalização surge descontroladamente, fazendo com que haja uma possibilidade de expansão no mercado de trabalho. A globalização da economia exige das empresas nacionais um esforço bem maior para que elas possam se adaptar a realidade mundial, com métodos empresariais novos, baixos custos e o principal, uma grande conscientização em relação à gestão ambiental.

A globalização foi de grande importância para a implementação do sistema de gestão ambiental. Com o avanço desse fenômeno, os empresários se viram obrigados a adotar esse sistema, para que a empresa pudesse se tornar mais competitivas no mercado de trabalho. A questão do meio ambiente nunca teve tanto valor como está tendo agora.

Tanto as organizações quanto a sociedade valorizam e compreendem a importância da preservação do meio ambiente, e com isso a gestão ambiental passa a fazer parte da lista dos assuntos fundamentais para a sobrevivência das organizações.

REFERÊNCIAS

ALBERTON, Anete. Meio Ambiente e desenvolvimento econômico - financeiro: o impacto da ISO 14001 nas empresas Brasileiras. 2003. 307p. Dissertação (Pós – Graduação em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, 2003. Disponível em : . Acesso em : 12 set. 2008.

CMMAD (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLIMENTO). Nosso futuro comum. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1991.

D’AVIGNON, Alexandre et al. Manual de auditoria ambiental. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2000. 140p.

DEGANI, Clarice Menezes. Sistema de gestão ambiental. 2003. 263p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em : . Acesso em : 12 set. 2008.

DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GUIMARÃES, R. Imagem não é tudo: como a conduta das empresas pode determinar o sucesso ou fracasso de uma marca. Melhor Vida & Trabalho, São Paulo, n.170, jul.2001. p. 34-35. Entrevista.

KAPLAN, Robert S. e NORTON, David P. A estratégia em ação: balanced scorecard. Tradução de Luiz Euclides Frazão Filho. 15º ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

LONGENECKER, J. G. Introdução à administração: uma abordagem comportamental. São Paulo: Atlas, 1991.

MAIMON, Dália. Passaporte verde: gerência ambiental e competitividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996.

PORTER, Michael. Ser verde também é ser competitivo. Revista Exame, p.72-78, de 22 de nov. de 1995.

________. Estratégia Competitiva. São Paulo: Campus, 1995.

ROCHA, Joséilton Silva da; NEVES, Rafael Burlani; SELIG; Paulo Mauricio. Balanced Scorecard na gestão ambiental. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE GESTÃO AMBIENTAL, Chile.

SISTEMA de gestão ambiental. Disponível em: http://www.ambientebrasil.com.br>. Acesso em: 10 set.2008.

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