SOCIAL
CURRÍCULO
ARTIGOS
CAPA
CONTATO

A gestão ambiental e suas interfaces

Marcelle Wendeling Pinheiro
Graduada em Administração e Especialista em Administração Estratégica. Atua como Gestora do Grupo Santander.

Marcelo do Amaral Wendeling
Graduado em Administração e Especialista em Administração Estratégica. É Analista de Gestão da Fundação Oswaldo Cruz/Ministério da Saúde.

INTRODUÇÃO

As pesadas cargas e danos ambientais, resultantes do modelo de produção industrial e do consumo têm gerado reclamações de diversos segmentos da sociedade, particularmente das organizações não governamentais. A partir deste contexto, surgiram mudanças na legislação e o aparecimento de códigos voluntários de conduta ambiental, estabelecidos por setores industriais.

Os reflexos no mercado foram rápidos, mostrando novas oportunidades para produtos e processos com maior responsabilidade ambiental, afirma Groenner (2003). Apresentou, também, oportunidades para o administrador, uma vez que a partir destas mudanças surgiram novas atividades no campo da gestão ambiental em vários setores do mercado. Os avanços ocorridos na área ambiental quanto aos instrumentos técnicos, políticos e legais, principais atributos para a construção da estrutura de uma política de meio ambiente, são inegáveis e inquestionáveis.

Tanto as organizações, quanto a sociedade passaram a valorizar e compreender a importância da preservação do meio ambiente e com isso a gestão ambiental passa a fazer parte da lista dos assuntos fundamentais para a sobrevivência da organização.

Nos últimos anos do século XX saltos qualitativos foram dados, em especial no que refere-se à consolidação de práticas e formulação de diretrizes que tratam da questão ambiental de forma sistêmica e integrada às outras políticas públicas, tais como política de desenvolvimento, de saneamento, desenvolvimento florestal, recursos hídricos e até mesmo aproximando-se de setores outrora antagônicos como o da indústria, comércio e turismo, que já causaram grandes danos ao meio ambiente. (GROENNER, 2003).

Esta nova visão foi sendo construída a partir dos resultados da Rio-92, onde a noção de desenvolvimento sustentável alastrou e estruturou-se. Porém, o que a noção e os conceitos de sustentabilidade trazem como novos desafios são os caminhos para a conscientização das organizações e da sociedade com relação às questões ambiental.

Assim, como temática de grande relevância e destaque nas atuas discussões, a gestão ambiental passou a estabelecer interface com diversas questões, consideradas da mesma forma de destaque na sociedade contemporânea.

INTERFACE 1: COMPLEXIDADE, INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

A gestão ambiental por ser um sistema que se relaciona com diversas áreas do mercado, meio ambiente, sociedade acaba tornando sua implantação um pouco complexa, mas de grande importância para o desenvolvimento da organização. A implantação desse sistema concede à organização mais credibilidade no mercado que ela atua e também a toda a cadeia de fornecedores e seus clientes.

O processo de implantação de um sistema de gestão ambiental se torna complexo, pelas várias etapas que a empresa deve passar, sendo uma delas, as avaliações dentro da organização. Avaliações para a implantação, avaliações periódicas para saber se estão sendo cumpridas as normas.

A implantação do sistema de gestão ambiental é um processo de inovação que ocorre dentro da organização. É um sistema considerado novo no mercado e por isso passa por vários ajustes, se inova a cada tempo para que possa se adequar mais ao mercado e suas exigências, pois o mercado não para de inovar.

A inovação dos processos de gestão ambiental deve ser tratado com muita atenção para não deixar que a organização perca sua certificação de organização ambientalmente correta.

Saber estar à frente do mercado, não pensar no presente, mas sim no futuro da organização, no que pode ser feito para inovar, tomar a frente nas decisões, isso é ser um gestor empreendedor, estar um passo a frente do mercado. Um empreendedor leva a organização ao crescimento constante.

É empreendedor investir na implantação de um sistema de gestão ambiental. A organização se desenvolve com maior competência, obtendo resultados melhores, e sem prejudicar o meio ambiente.

INTERFACE 2: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E DESEMPENHO ECONÔMICO

Hoje há necessidade de um tipo de desenvolvimento centrado tanto nas pessoas, como na melhoria da condição de vida, quanto na preservação do meio ambiente. Deve-se parar de falar sobre conservação e desenvolvimento como se estivessem opostos um ao outro, e reconhecer que, ambos são partes essenciais de um único processo indispensável.

Segundo Porter (1995), a visão que prevalece ainda hoje é: ecologia versus economia, ou seja, de um lado, estão os benefícios sociais que se originam de rigorosos padrões ambientais, e de outro lado, estão os custos da indústria com preservação e limpeza – custos estes que, neste enfoque, conduzem à altos preços e baixa competitividade.

O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu a partir dos estudos da Organização das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, no início da década de 1970, como uma resposta à preocupação da humanidade, diante da crise ambiental e social que se abateu sobre o mundo desde a segunda metade do século passado. Esse conceito, que procura conciliar a necessidade de desenvolvimento econômico da sociedade com a promoção do desenvolvimento social e com o respeito ao meio-ambiente, hoje é um tema indispensável na pauta de discussão das mais diversas organizações, e nos mais diferentes níveis de organização da sociedade, como nas discussões sobre o desenvolvimento dos municípios e das regiões, correntes no dia-a-dia de nossa sociedade.

De acordo com Maimon (1996), o desenvolvimento sustentável é mais do que um conceito, é um processo de mudança, onde a exploração de recursos, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento ecológico e a mudança institucional devem levar em conta as necessidades das gerações futuras. A ênfase na ecologia está na origem do termo sustentável, quando da procura do equilíbrio entre os ritmos de extração que assegurem um mínimo de renovabilidade para o recurso. A ênfase no econômico acarreta a busca de estratégias que visem à sustentabilidade do sistema econômico. E, a ênfase no social visa criar as condições sócio-econômicas da sustentabilidade, ou seja, o atendimento às necessidades básicas e melhoria do nível de instrução, entre outras questões.

O conceito de sustentável pressupõe a idéia de durabilidade, no sentido de um desenvolvimento permanente. Constitui-se dessa forma, os princípios para o desenvolvimento sustentável: respeito ao meio ambiente; promoção da qualidade de vida; conservação da vitalidade e da diversidade do planeta; minimização do esgotamento de recursos não renováveis e justiça social.

O desenvolvimento sustentável não questiona a ideologia do crescimento econômico, que é a principal força motriz das atuais políticas econômicas. O que se rejeita sim, é a busca cega do crescimento econômico irrestrito, entendido em termos puramente quantitativos com a maximização dos lucros.

INTERFACE 3: RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

Por responsabilidade social empresarial entende-se a conduta ética e responsável adotada pelas empresas, o que inclui o universo de seus consumidores, fornecedores, funcionários, acionistas, comunidade em que se inserem ou sobre a qual exercem algum tipo de influência, além do governo e do meio ambiente.

Atualmente, muitas empresas brasileiras vêm se destacando em programas de responsabilidade social, fazendo com que seus líderes compreendam que o papel das empresas vai muito além que o de gerar lucros. Porém, muitas vezes a filantropia aplicada é realizada sem a correta destinação dos recursos, ou seja, sem um projeto social.

A responsabilidade social está diretamente relacionada a um conceito ético que envolve alterações nas condições de bem-estar, e a qualidade de vida na sociedade, consolidando-se a estreita relação entre a empresa e o seu ambiente de negócios.

Para Donaire (1999, p.22), o conceito “de responsabilidade social das organizações diz respeito às expectativas econômicas, legais, éticas e sociais que a sociedade espera que as empresas atendam, num determinado período de tempo”. Desta forma podemos perceber que a ética e a responsabilidade social empresarial devem caminhar na mesma direção.

Toda empresa possui uma missão que determina sua razão de existir. Essa missão deve ser traçada de forma que se olhe o ambiente externo em busca de medidas de sucesso e não apenas de clientes. Uma organização somente atua de forma ética, quando consegue alcançar suas metas, respeitando os valores e os direitos da sociedade na qual está inserida.

Para Guimarães (2001, p. 35) existem dois tipos de ética: “a que impõe limites (não poluir, não corromper) e a que inspira a busca de novos horizontes”. A primeira ocorre quando a responsabilidade social é incorporada pela empresa, como uma mudança cultural, impondo novas formas de extrair, de produzir e de consumir produtos. A segunda está vinculada à criatividade e ao entusiasmo das pessoas, em buscar soluções atreladas à cooperação e não à competição.

É importante destacar que a ética do meio ambiente começa pelo reconhecimento do valor da natureza para a preservação da espécie humana: da importância da fauna, da flora, da variedade das espécies animais, da vida selvagem, do ar puro e da água limpa para a vida dos seres humanos. Trata-se do reconhecimento de uma qualidade que a natureza objetivamente possui: a de possibilitar e garantir a nossa sobrevivência física e o nosso desenvolvimento social.

Atualmente, a ética organizacional dos administradores e empregados vem crescendo no mundo dos negócios. É notável o interesse e a preocupação das organizações com essas questões, mostrando que não só os funcionários são eticamente responsáveis, mas também as empresas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, existem grandes oportunidades no mercado para as atividades relacionadas ao meio ambiente, para o administrador. A importância das questões relacionadas ao meio ambiente não pode ser mais ignorada, pois passou a ser considerada critério de competitividade para as organizações.

A preservação ambiental é importante para a sobrevivência da organização a longo prazo. Os setores da área florestal, energia, agricultura e turismo estão particularmente em risco. As empresas que possuem padrões nacionais rigorosos tornam-se, também, empresas mais competitivas internacionalmente, pois para conseguirem autorização para realizar negócios devem cumprir os padrões ambientais exigidos pelo mercado. Portanto, as empresas estão começando a investir no vínculo cada vez mais direto entre o desempenho ambiental e a imagem corporativa, como uma maneira de fortalecer marca da empresa no mercado.

REFERÊNCIAS

D’AVIGNON, Alexandre et al. Manual de auditoria ambiental. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2000.

DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GROENNER, Patrícia Elaine Moura. As estratégias de gestão ambiental nas empresas. Instituto de Educação Tecnológica. São Paulo, 20 abr. 2003. Disponível em: http://www.ietec.com.br>. Acesso em: 20 outubro 2009.

KIERNAN, Matthew J. Os 11 mandamentos da administração do século XXI. Tradução June Camargo. São Paulo: Makron Books, 1998.

MAIMON, Dália. Passaporte verde: gerência ambiental e competitividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996.

PORTER, Michael. Ser verde também é ser competitivo. Revista Exame, p.72-78, de 22 de nov. de 1995.

Topo da Página